Marquesa de Pompadour - Delatour

Marquise de Pompadour – Delatour

Título/Title: Retrato da Marquesa de Pompadour / Portrait of the Marquise de Pompadour.

Autor/Creator: Maurice-Quentin Delatour.

Assunto/Subject: Retrato / PortraitRococó / Rococo.

Ano e Período/Year and Time Period: 1755 (Século XVIII / 18h Century).

Tipo/Type: Desenho / Drawing.

Dimensão e Técnica/Dimension and Medium: 177 x 136 cm, . (Pastel with gouache highlights on at least eight sheets of blue paper including one for the face, glued to canvas on a stretcher)

Idioma/Language: Francês / French.

País/Country: França / France.

Fonte/Source: Louvre Catalog (Data), Wikimedia Commons (Image).

Direitos/Copyright: Domínio público / Public domain (Image).

Localização Atual/Current location: Musée du Louvre (Paris, France).

Descrição/Description: Essa obra prima de Delatour é muito mais do que um quadro de uma mulher em um vestido de gala. Trata-se de uma obra excepcionalmente grande para um desenho a pastel, trabalho brilhantemente executado. Música, literatura, belas artes e política cercam a marquesa por meio de partituras e livros, na tentativa de consolidar a imagem de uma mulher culta e controversa, bem como demonstrar toda a maestria do artista. Para os amantes do pastel, trata-se de uma obra emblemática. É a minha predileta do Delatour. Desde que comecei a estudar desenho à pastel me interessei profundamente pelo seu trabalho, dentre outros pintores da técnica. Mais pela sua qualidade estética e expertise, do que pelas pessoas e contextos que retrata, já que a monarquia e o estilo de vida aristocrático do período em nada me atraem.

Em 2011, desenvolvendo minha tese de doutorado em gestão, tentei agendar por meses uma visita às áreas técnicas do Louvre, sempre com e-mails em inglês. A ideia seria unir o útil ao agradável, conhecendo a estrutura por trás do museu e, ao mesmo tempo, obras em pastéis inacessíveis ao público geral. Uma semana antes de chegar à Europa, minha amiga Carol, que na época morava em Paris, escreveu para o setor em francês, solicitando a minha visita. Para minha profunda alegria finalmente o e-mail foi prontamente respondido. E então tivemos acesso aos bastidores do museu mais famoso do mundo. Decorei em francês o meu pedido de desculpas, explicando que infelizmente teríamos que conversar em inglês, mas a funcionária me recebeu muito bem mesmo assim.

Após uma sequência imensa de procedimentos de segurança, rumamos por um labirinto em direção aos famosos pastéis. Foram tantos anos de espera e tantos meses de expectativa, que quando entrei na reserva e vi os inúmeros Delatours nos trainéis comecei a chorar copiosamente, a ponto de perder a fala. Meu esposo, ao me ver tão emocionada, começou a chorar também. A funcionária silenciosamente se afastou e nos deu um tempo. Já recuperados do impacto, fizemos então a visita guiada. A educadora empunhava as fichas previamente impressas de cada obra selecionada no e-mail. Um espetáculo de organização. Quando saímos da reserva, pedi desculpas pela explosão de sentimentos e a moça delicadamente respondeu: “Imagina, de forma alguma… são pessoas assim que dão sentido ao nosso trabalho.”